Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007
Lontra

 

É claro que vou usar e abusar do tema pesca. A pesca, que adoro, reforça o alibi para sair de casa, conhecer sítios, almoçar "fora", tranquilizar o espírito, manter um são convívio com a natureza, reportar algumas coisas em fotografia e deixar-me surpreender por coisas boas, por vezes tão simples, que embora roçando alguma infantilidade que existe em mim, ficam com um registo indelével, gratificantemente, na minha memória.

 

Tenho vários "registos" em memória para reportar aqui, sempre que me ocorra fazê-lo. Vou tentar evitar assalganhá-los, ficando-me, agora, pelo dia de ontem.

 

Depois de almoço, embora com pouca vontade de sair de casa, dada a canícula, de forma lânguida, lá fomos colocando os apetrechos no jipe, predestinando mais uma ida para debaixo dos salgueiros, junto ao Tejo.

Aberto o portão, Xico fez uma rápida incursão até junto da casa da Maia, que andará com o cio. Desiludido por a não ter vislumbrado, lá entrou no carro, semi-convencido.

 

Chegados ao destino, verificámos que corria uma aragem fresquinha, muito agradável e o pesqueiro pretendido estava livre.

 

Quanto à pesca, nada de especial a reportar. Ventura "gradou" mais uma vez e eu, com a bogueira, pesquei dez a doze bogas e pequenos barbos, que, no final, devolvi ao rio.

 

Xico, pouco depois da chegada, detectou, perseguiu e moeu-se com uma ratazana, que, depois de o ludibriar, se colocou em cima da ramagem alta e fina de um salgueiro. Ficaram a medir-se e a olhar-se mutuamente, até que, passada uma eternidade, o meu amigão desistiu e veio fazer uma grande sesta a meus pés, sobre a areia molhada.

 

Cerca das 17 horas, quando estava mais para lá que para cá, acometido de sonolência, por a bóia não bulir, eis que, a cerca de 30 metros, rio abaixo, passava o que inicialmente me pareceu uma garrafa a flutuar. Mas não, a coisa mexia. Tratava-se de uma lontra adulta que, quando me levantei para observar melhor, ensaiou reflexamente um mergunho para se proteger, mostrando-me a quase totalidade do dorso. Porém, saiba-se lá porquê, continuou a nadar, calmamente, sempre à superfície, até a perder de vista. Deixem-me acreditar que o animal não mergunhou por perceber o meu encanto em estar a vê-lo num sítio daqueles.....rssssss

 

...Foi tudo. Acreditem que voltei para casa, como se tivesse "ganho o dia". É que já não via uma  lontra em natureza há mais de trinta anos. Aliás, no Tejo, nunca tinha visto alguma.

Regressei muito contente, dando até para reflectir que nem tudo é mau. O "meu" Tejo está muito menos poluido, dia após dia leva um belo e limpo caudal... Até já tem lontras!... Calculem!....

 

 

 

 

Ps

Mais em jeito de ver como e se funciona. fica aqui um filme pequenino, já antigo, com Xico no Tejo.

 

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publicado por olharuco às 18:19
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